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Oposição considera "exagerada" renda paga pela Cãmara de Braga por cinema S. Geraldo

A oposição na Câmara de Braga considerou "exagerado" o valor de 12.500 euros mensais de renda que a autarquia dirigida pela coligação Juntos por Braga (PSD/CDS-PP/CDU) aceitou pagar à arquidiocese pelo antigo cinema S. Geraldo, apontando críticas ao negócio.

 

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Hoje, na habitual conversa com os jornalistas após a reunião do executivo, os vereadores da CDU e do PS explicaram que apesar de terem votado a favor do arrendamento do edifício do S. Geraldo para a instalação de um Media Artes Centre, o contrato com a arquidiocese de Braga, proprietária do edifício, não é o melhor para o interesse público. Entre as críticas, além do valor da renda, que o vereador comunista Carlos Almeida atribuiu à "especulação permitida pela própria autarquia", PS e CDU apontam o facto de as obras de reabilitação do edifício correrem a expensas da autarquia, sem garantia de retorno. O executivo aprovou arrendar, por 10 anos, o edifício do antigo cinema S. Geraldo por 12.500 euros mensais, sendo que a câmara fica isenta do pagamento daquela quantia nos primeiros nove meses da vigência do contrato.

A autarquia irá ficar a pagar, nos seis meses seguintes, metade daquele valor e, nos três meses subsequentes, 75%, pelo que só em fevereiro de 2019 a câmara irá começar a pagar a renda integral. "Este contrato não é o melhor para o interesse público, mas é o que dá garantia que, pelo menos para já, o edifício não é demolido e, por isso, votamos a favor", salientou Carlos Almeida. Para o comunista, "o valor da renda é exagerado e desproporcional", apontando culpas à gestão do dossiê pelo presidente da autarquia, Ricardo Rio. "A renda chegou a este valor por culpa da própria câmara Andou-se um ano e meio a especular, aprovou-se um projeto para o espaço e isso criou expectativas à Arquidiocese que fizeram com que a renda chegasse a este valor", referiu. O PS, pela voz de Liliana Pereira, acusou Ricardo Rio de ceder à tentação "eleitoralista" e decidir com as eleições em vista. "Acho que esta é uma tentativa de não perder eleitorado, ou então de captar eleitorado mais à esquerda", disse, lembrando a "pressão mediática" que se sentiu na cidade nos últimos meses, tendo mesmo havido a criação de páginas de internet, fóruns e debates em torno da questão do S. Geraldo. Outra questão levantada pela oposição é a possibilidade de a autarquia adquirir o edifício no final do tempo de vigência do contrato de arrendamento. "Depois de 10 anos a pagar renda, de reabilitar o edifício, não há nenhuma garantia que a autarquia possa adquirir o S. Geraldo apenas por sua vontade, está sempre dependente da Arquidiocese e até da Santa Sé", apontou Carlos Almeida. Os vereadores socialistas levantaram ainda dúvidas sobre uma outra cláusula do contrato, que prevê que o fim não habitacional seja compatível com os "Princípios da moral cristã". "A liberdade de expressão artística pode embater com estes princípios e, se estamos a arrendar o espaço para as artes e para a liberdade artística, podemos ter esta questão a ser discutida. Convém especificar, definir e salvaguardar isso mesmo", referiu Liliana Pereira. Quanto ao valor da renda, Ricardo Rio desvalorizou as críticas, considerando que o valor é "justo" e fruto de negociações "difíceis que duram há dois ou três meses". "Não é de todo exagerado e está dentro de condições de mercado que temos visto concretizar para outros edifícios próximos. Não é possível dizer se há um empolar do valor, mas este foi o ponto de encontro entre as vontades do município e Arquidiocese", explicou.

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