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Morreu após 20 minutos a tentar ligar para o 112

Mulher, que não conduzia há 30 anos, levou António Sousa ao hospital, onde faleceu.

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Durante 20 minutos, Filomena Fernandes tentou, sem sucesso, ser atendida pelo 112. Não conduzia há 30 anos, mas meteu o marido doente no carro e levou-o ao hospital de Fafe. Minutos depois, foi dado como morto.

"Se o INEM tivesse vindo, talvez o meu marido ainda hoje estivesse vivo". Esta é a convicção de Filomena Fernandes, uma mulher de 60 anos que viveu, na madrugada de terça-feira, a maior aventura da sua vida, mas que terminou da pior forma. Durante a madrugada, o marido, António Sousa, 61 anos, começou a sentir falta de ar e, como tantas vezes, pediu a medicação e um chá. Como não sentia melhoras, e já em grande aflição, disse à mulher que tinha de ir ao hospital. Filomena ligou o 112 e aí começou a odisseia, que só terminaria com a notícia da morte do marido.

"Liguei para o 112 e tocava sem que ninguém atendesse. Desliguei e liguei para uma cunhada, que também não atendeu. Voltei a ligar o 112, chamou muito tempo, mas ninguém atendeu", relembrou, ao JN. A última chamada para o 112 está registada às 4.30 horas. Em completo desespero e sem conseguir ajuda, Filomena decidiu transportar o marido de automóvel. "Já há 30 anos que não conduzia", contou.

António ainda tirou o carro da garagem, porque a mulher não conseguia fazer marcha-atrás, mas depois Filomena tomou o volante. De Vinhós, freguesia onde habita, até Fafe, Filomena foi com os vidros abertos a gritar por auxílio, mas ninguém a ouviu, durante o trajecto. Já às portas da cidade, na Rua do Retiro, Filomena sentiu que o marido desfalecia. "Aí, comecei a gritar ainda mais. Aumentei a velocidade do carro e não tive um acidente por sorte", recorda, banhada em lágrimas.

Já perto do hospital, parou o carro e foi a correr até às urgências. Seria, depois, um funcionário daquela unidade quem se deslocou à viatura e o conduziu à urgência. Minutos depois, foi declarado o óbito de António Sousa.

Filomena sente-se indignada pelo facto de o número de emergência nacional não ter funcionado e espera, agora, "que as entidades competentes possam colmatar as falhas para salvar vidas que, no futuro, precisem de auxílio".

No distrito de Braga, a central 112 está ligada ao comando distrital da PSP que, depois, encaminha as chamadas para os diversos serviços, dependendo se as chamadas são destinadas ao INEM ou às entidades policiais. Fonte da PSP admitiu, ao JN, que, muitas vezes, as chamadas estão em espera pelo facto de a linha estar ocupada, situação que poderá ter ocorrido na madrugada de terça-feira.

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